Wagner Felipe canta todas as formas de amor no CD Amor pra Todos

Nos acordes do violão estão os lamentos e as observações de um paulistano nascido no Grajaú. O bairro, no extremo da Zona Sul, reúne as contradições de uma grande cidade brasileira: violência, ausência do Estado e múltiplas carências, mas também muita criatividade.

Wagner Felipe e Banda A_1_pequenaApesar da fama negativa para os mais desavisados, Grajaú tem vocação natural para a arte urbana. O maior distrito da região metropolitana, com mais de 90 km², é hoje referência em manifestações socioculturais e celeiro de novos artistas que despontam entre os seus quase 500 mil habitantes.

Wagner Felipe faz parte do grupo dos batalhadores e talentosos artistas da região. Desde jovem conviveu com uma turma de pensadores, que gostavam de poesia, de literatura, de uma boa conversa sobre a vida e de muita cumplicidade, deixando de lado qualquer envolvimento com o que não achava certo, nem honesto. Preferiu o caminho da música.

Wagner Felipe e Banda A_5_pequenaAluno de escola pública até o ginasial, cursou colegial técnico de artes e não parou de estudar. Nem de ler. Poesia ou literatura, fontes de inspiração para sua vida e sua obra. No entanto, para se manter, fez de tudo um pouco. Foi segurança, cobrador, auditor e até marceneiro. Quando saiu do bairro para trabalhar, percebeu que havia outro mundo na mesma cidade, com grandes diferenças sociais e econômicas. E começou a ter uma visão mais analítica da sociedade. Do que ganhava conseguia economizar um pouco para comprar instrumentos musicais e assim poder se dedicar ao que realmente gostava.

Aprendeu a tocar sozinho o violão e a vontade de querer mais fez com que expandisse o olhar para outros instrumentos – cavaquinho e flauta, que, na sua avaliação crítica, ‘apenas arranha’. Embora tenha começado a tocar por curiosidade e por um bom ouvido, Wagner Felipe aprimorou os seus conhecimentos. Cursou a Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim e fez licenciatura na Escola Paulista de Arte.

Assim, conseguiu criar asas. E criou bandas; compôs músicas que falam de seu universo e de suas verdades; deu aula de cavaquinho para 40 garotos e com eles montou uma orquestra; saiu-se muito bem como professor de música durante dez anos; foi voluntário em organizações não governamentais; e deu aula de música na Fundação Criança, entre tantas outras atividades ligadas à arte.

Nas suas composições – que já são dezenas –, Wagner Felipe sempre conseguiu se expressar e expor  ideias, sentimentos e até alguns dos momentos mais dolorosos pelos quais passou. Aprofundou-se ainda mais no trabalho para enfrentar três situações muito tristes – a morte do pai, o assassinato do irmão e um problema de saúde da mãe –, todos ocorridos ao mesmo tempo. A produção do álbum – que incluiu arranjo e gravação – foi uma das atividades que o ajudaram a amenizar a dor. À medida que reunia as suas composições, todas muito alegres e positivas, o coração foi se acalmando para continuar a viver, procurando sempre olhar para o melhor ângulo.

Agora, Wagner Felipe lança o seu primeiro disco solo – Amor pra Todos, com 14 músicas autorais, que têm como tema todas as formas de amor, o que dá um tom todo especial a sua vida. “Como este trabalho é muito importante, quis que fosse bem positivo e otimista. É o que mais se aproxima da criança que existe dentro de mim”, destaca o músico.

As músicas de Amor pra Todos

Apesar de cantar suas dores, sua indignação com a desigualdade social, as dificuldades do dia a dia, Wagner Felipe valoriza acima de tudo a vida, o brilho no olhar, a esperança. O amor em sentido mais amplo. Todos esses sentimentos podem ser percebidos em cada uma das suas letras.

É o que se constata no rap que faz parte de Sem Sentido. Uma radiografia dos conflitos vividos atualmente… “Assistia jornal, lia revista, olhava a TV. Torcia futebol, reparava nos políticos, mas não conseguia entender por que nada disso fazia sentido. / Saía pra rua e observava o mendigo. Reparava na polícia perdendo o juízo…”  – , o compositor aponta as incoerências que observa da atualidade. Da pressa à destruição do meio ambiente; da individualidade à repressão, tudo reflete no seu olhar. Mas mesmo assim consegue no final encontrar o sentido para o amor.

Por outro lado, o autor sabe como ninguém fazer uma declaração de amor em Bárbara e o Sol – “… o que dá para entender? O que eu posso dizer? Te amo…” Já em Momento Praiano, destaca o prazer de sentir os pés na areia e a cabeça na imensidão, nos momentos de puro lazer. Em Uma Grande Festa, o músico alerta para a importância de viver uma vida bem vivida: “Quem tem medo de viver / não vive. /Faça aquilo que te faça bem, amor, / No estado de espírito. / É hora de desapegar / Dos pesos deste mundo.” E assim Wagner Felipe dá o seu recado, com letras e músicas envolventes.

Conheça quem faz parte de Amor pra Todos

Banda A

Acompanhando Wagner Felipe está a Banda A, formada por Mauricio Dias (cavaco e violão, em “Guerreiro da Fronteira”); João Cruz (baixo, backing e teclas); Rubens Candido (guitarra, backing, gaita e 2º violão em “Poeta”); Luiz Roma (bateria). Wagner Felipe toca violão e guitarra solo em “Orvalho da Manhã”.

Participações especiais:

Deise Santos, 2ª voz em “Sem Sentido”; Lauro Pirata, rap em “Cantando Amor pra Todos”; Marco Prado, guitarra em “Matemática dos Amantes”; Naná Aragão, percussões; Natália Áurea, solo vocal em “Orvalho da Manhã” e “Poeta”; Sérgio Vaz, declamação em “Poeta”.

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Fotos: Sergio Mareiro

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