Psicoacústica

psicoacusticaO ouvido humano é uma antena para o cérebro, uma parte do cérebro ligada diretamente ao mundo externo, sempre procurando por informação na forma de vibrações. O que chamamos de “som” é simplesmente o limite do espectro de vibrações que essa antena consegue captar.

Acomode-se na sua bateria. Com a baqueta, dê um toque na caixa, num prato, ou em qualquer outra peça do seu kit. Pronto. Você produziu um barulho, ou ruído. Agora faça um rudimento simples ou uma levada simples de rock, samba, bossa nova, ou o que você preferir. Dessa vez você produziu um encadeamento rítmico, que pode ter sido bom ou ruim, dependendo de suas habilidades como baterista. No primeiro caso, a antena do cérebro procurou por um padrão e não encontrou nenhum. No segundo caso, você explorou uma das melhores qualidades do ruído, ou barulho: a capacidade de produzir um padrão rítmico. Como aponta o ex-baterista do Greateful Dead, Mickey Hart, nós bateristas somos “fazedores de barulho”, não “fazedores de melodias”.

A psicoacústica é essencialmente o estudo da percepção do som. Isso inclui como ouvimos, nossas respostas psicológicas e o impacto fisiológico da música e do som no sistema nervoso humano. No âmbito da psicoacústica, os termos música, som, frequência e vibração são intercambiáveis. O estudo da psicoacústica disseca a experiência auditiva.

Apesar do ouvido humano ser capaz de ouvir frequências entre 20 Hz e 20.000 Hz (veja o artigo sobre frequencia aqui no Drum Channel Brasil), a percepção do som nos humanos é um processo idiossincrático, isto é, cada indivíduo percebe e interpreta os sons de uma maneira diferente, individual.

 

Há pelo menos três processos neuro-físicos, que podem ser desencadeados pela música.

1. A música é um processo não-verbal, e por isso pode se mover através do córtex auditivo do cérebro diretamente para o centro do sistema límbico. O sistema límbico governa nossas experiências emocionais básicas e respostas metabólicas, tais como a temperatura corporal, pressão arterial e frequência cardíaca. Segundo a psicoacústica, a música pode também ajudar a criar novos circuitos neurais no cérebro.

2. A música pode ativar o fluxo de memória armazenada e da imaginação, através do corpus callosum (ponte entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro), ajudando os dois a trabalharem em harmonia. Ainda segundo a psicoacústica, isso pode estimular o sistema imunológico.

3. A música pode ativar os peptídeos do cérebro e estimular a produção de endorfinas, que são opiáceos naturais liberados pelo hipotálamo, produzindo uma sensação de euforia natural, alterando o humor e as emoções.

Uma distinção importante é a diferença entre a percepção psicológica e a neurológica. Por exemplo, tons ligeiramente distorcidos podem acelerar ou desacelerar as ondas cerebrais. Além disso, seqüências musicais que são filtradas e fechadas (um processo sofisticado de engenharia acústica) criam um evento sonoro aleatório. Elas provocam uma resposta auditiva ativa e, portanto, tonificam o mecanismo auditivo, incluindo os pequenos músculos do ouvido médio. Como resultado, os sons são percebidos com mais precisão e a capacidade de fala e comunicação melhoram. Enquanto uma resposta psicológica pode ocorrer com sons filtrados e fechados, ou tons distorcidos, o principal efeito é fisiológico, ou neurológico.

Investigações a respeito do componente neurológico do som estão atraindo muitos estudiosos para o campo da psicoacústica. Uma crescente escola de pensamento – com base nos ensinamentos do médico francês Alfred Tomatis – explora e analisa tanto os efeitos neurológicos quanto os psicológicos da ressonância e das frequências sobre o corpo humano.

Alfred Tomatis é considerado o pai da psicoacústica. Joshua Leeds expandiu e confirmou as teorias de Tomatis através de modernos sistemas computadorizados de medição de ondas cerebrais, batimentos cardíacos, e outros indicadores corporais. Essa capacidade de medição traz especificidade, e, consequentemente, o emprego do som e da música pode tornar-se mais preciso. A partir disso, a música pode ser usada para aplicações específicas.

No âmbito das aplicações específicas da música e do som, as trilhas projetadas psicoacusticamente giram em torno dos seguintes conceitos e técnicas:

– Ressonância (tom)psicoacoustica_02

– Encadeamento (ritmo)

– Neurotecnologias Sônicas (processamento de som altamente especializado)

– Intencionalidade (aplicação focada para um benefício específico).

 

Vamos falar sobre Ressonância e Encadeamento.

• Toda matéria vibra no nível atômico

• Frequência é a velocidade na qual a matéria vibra (medida em Hertz).

• A frequência de vibração cria o som (às vezes inaudível).

• Os sons podem ser transformados em música.

 

Ressonância pode ser definida de modo geral como “o impacto de uma vibração sobre outra”. Literalmente, significa “vibre novamente, faça eco”. Ressoar é repetir o som. Algum fator externo põe outra coisa em movimento, ou altera sua frequência vibratória. Isto pode ter vários efeitos diferentes, alguns sutis e outros nem tanto.

Outro aspecto fascinante e importante da ressonância é o processo de encadeamento. Encadeamento, no contexto da psicoacústica, refere-se a alteração na relação das ondas cerebrais, na respiração, nos batimentos cardíacos, de uma velocidade a outra através da exposição de ritmos periódicos vindos de fora.

O exemplo mais comum de encadeamento é o bater de pés ao ritmo de uma música. Tente manter os pés ou a cabeça parados enquanto está ouvindo ritmos agradáveis e andamentos rápidos. Você verá que é quase uma resposta motora involuntária. No entanto, bater os pés ou balançar a cabeça através de ritmos externos são só a ponta do iceberg. Enquanto seus pés podem estar batendo, seu sistema nervoso pode estar num terrível caso de crise nervosa.

O encadeamento rítmico é contagioso: Se o cérebro não ressoar com um ritmo, não haverá alteração nas taxa de respiração ou cardíacas. Neste contexto, o ritmo ganha novos significados. Não é só entretenimento: o encadeamento rítmico é uma poderosa ferramenta sonora também – seja para a função motora ou outros processos autonômicos, tais como ondas cerebrais, cardíacas e taxas respiratórias. Altere um pulso (como as ondas cerebrais) com música, e os outros grandes pulsos (coração e respiração) vão segui-lo.

A música altera o desempenho do sistema nervoso, principalmente por causa do encadeamento. Encadeamento é a manifestação rítmica da ressonância. Com o encadeamento, um forte estímulo externo não apenas ativa um outro pulso, mas na verdade faz com que este saia de sua própria frequência de ressonância para se igualar ao primeiro.

Compreender os conceitos entrelaçados de ressonância e encadeamento nos permite compreender como as formas exteriores do tom e do ritmo podem ser boas ou deletérias. O som afeta o vidro e o concreto, assim como as ondas cerebrais, a resposta motora e as células orgânicas.

Como “fazedores de barulho”, nas palavras de Mickey Hart, nós bateristas devemos estar conscientes de que trabalhamos muito mais profundamente nas emoções e processos humanos do que simplesmente entretenimento. Vamos desenvolver mais esse tema em artigos futuros. Bom som para todos!!!

Fonte: incrediblehorizons

Tradução e adaptação: Drum Channel Brasil 

 

 

Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com