Os 7 erros que 90% das bandas independentes cometem

Falar que a cena independente cresce absurdamente com a internet não é uma grande novidade, isso provavelmente você já sabe. A cada ano nascem milhares de novos artistas hasteando a bandeira do grande sonho de se viver de música. Por outro lado, não são poucos os músicos que reclamam do baixo reconhecimento recebido em troca de tanto trabalho oferecido. A pergunta não se cala. Por que?

Por que  essa distância praticamente nula entre público e bandas gerada pela internet, não traz o retorno merecido para a maioria? Culpa da cena independente? Definitivamente não. O problema está na forma errada que 90% dos artistas divulga sua carreira. Em meu trabalho com o Palco Digital (link www.opalcodigital.com.br ), tenho a oportunidade de acompanhar de perto esse “dilema” e identifiquei  7 principais erros que definitivamente decidem negativamente a carreira de um artista. Vamos a eles:

1 – Falta de relacionamento com o público

Grande parte das bandas não ativam um relacionamento com seus fãs. Esse é um erro mortal. E relacionamento não é criar uma fan page no Facebook ou um perfil em alguma rede social e “panfletar” vídeos, som ou agenda de shows. Se relacionar é estabelecer uma conexão pessoal com seu público, é alimentá-lo com  pensamentos, inspirações, cotidiano, é pedir opinião e deixá-lo participar do seu dia a dia como artista. Isso acontece por e-mails, a forma mais pessoal de se criar uma ponte cognitiva com qualquer pessoa. E-mails crescentes em sua base significam a moeda das grandes gravadoras: Fãs.

2 – Querer mostrar sua música pra todo mundo

Os Engenheiros do Hawai já diziam: Ninguém é igual a ninguém. Por mais específica que seja sua música, ela possui público consumidor, disso não tenha dúvida. Por outro lado ela também não vai agradar todo mundo. Muitas bandas caem no erro de divulgar sua carreira para o maior número de pessoas possível, sem distinção, na ânsia de encontrar em algum lugar as pessoas certas que irão se conectar com seu discurso musical. Dessa forma é mais fácil achar o contrário. O segredo está na segmentação. Procurar  comunidades que falem a sua língua é a atitude mais inteligente. Por exemplo, se você possui um trabalho voltado para o Black Metal, dificilmente vai encontrar grande público entre seus amigos. Mas se procurar em grupos do próprio Facebook vai ter a surpresa de encontrar mais de 20.000 pessoas que falam seu idioma sem sotaques.

3 – Não gravar conteúdo em vídeo

E aqui vale a pena dizer que não se trata apenas de conteúdo musical. Como disse, grande parte das bandas não ativam um relacionamento com seu público. Vídeos pessoais são uma forma poderosa de enlaçar o público-alvo à imagem de sua banda e com isso aumentar ou construir sua base de fãs. Os bastidores da gravação de um CD, o dia de composição de uma nova música, uma mensagem pessoal para o público. Seu canal no Youtube precisa receber conteúdo que não apenas venda seu trabalho, mas, gere algo positivo, de valor para seu público. Quem dá, recebe.

4 – Nunca usar a primeira pessoa

Você é uma banda, mas esqueça o NÓS. Criar um relacionamento, uma conexão com seu público é dialogar. Pessoas falam com pessoas, não com grupos, marcas ou o coletivo que for.  Escolha um ou mais representantes em sua banda para estabelecer a comunicação com seus fãs. Não fale “aqui é a banda xyz” pois quem está falando é alguém da banda xyz. As pessoas dão muito valor a fatores emocionais em uma comunicação e mostrar que quem está do outro lado é alguém que possui nome, olhos, boca e um coração faz toda a diferença.

5 – Querer ser ídolo

Os fãs de uma banda independente são em sua maioria, amigos. Não amigos que a conhecem desde o início, mas, pessoas que aprenderam a gostar do som, do trabalho, por causa da forma que aquele artista conseguiu conquistá-los. Querer se posicionar como um ídolo, um artista poderoso, por mais talento que você tenha não irá contribuir para nada. Vale a pena lembrar que você não possui uma forte mídia ou uma gravadora capaz de explodir sua imagem para gente que você nunca imaginaria existir. Você depende de que as pessoas gostem de você “de graça”. Se você se apresenta de forma suave, leve e intimista, isso fica muito mais fácil.

6 – Não contar histórias

Histórias são um catalizador de popularidade. Quando tinha 15 anos, meus amigos me contaram que um tal de Jimmy Hendrix colocou fogo em uma guitarra em um show ao vivo. Nunca havia ouvido algo como aquilo e quis conhecer esse tal guitarrista. Assim ele ganhou mais um fã, 30 anos depois de sua morte. Contar histórias de superação, histórias que criem uma conexão emocional com seu público pode fazer cair muitas barreiras que impedem que sua banda seja conhecida por mais pessoas.

7 – Dar de graça sua música

Estimular o download de seu material é positivo, mas com moderação. Será que você gastou milhares de reais na produção de um álbum para ofertá-lo às pessoas? Claro que não. Ok, mas as pessoas vão piratear, no final a coisa descamba para isso mesmo, não é? Não. Existem pessoas que mesmo sabendo que sua música está disponível gratuitamente, vão querer comprar de você. Ofertar todo o seu material é desvalorizar o seu trabalho.

Vinícius Soares é músico independente e criador do Palco Digital (www.opalcodigital.com.br) projeto que já ensinou mais de 100 bandas de todo o Brasil sobre as boas práticas da divulgação musical pela internet.

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