O feminismo segundo Kelly Key

Xerox da Britney Spears? Cantora-quiabo? Produto com defeito? Se você pensa em Kelly Key e não consegue sair da superfície, pare a leitura agora mesmo e vá fuçar a timeline do coleguinha (a).

Em 2001, através da gravadora Warner Music, chegou ao mercado o primeiro disco da cantora e compositora carioca Kelly de Almeida Afonso Freitas, a Kelly Key. Gosto pessoal a parte, a moça fez por onde: exigiu fazer repertório autoral, investiu nas aulas de dança e canto, enfim, a sua maneira, usou munição pesada para dizer quem é. Se você não gosta do resultado, ok. É a história dela.

Voltando ao assunto que intitula esta matéria: a primeira faixa deste debute, Só Quero Ficar, assinada por Kelly e Andinho, é um petardo contra o discurso pobre que posiciona a mulher, com maquiagem discreta, na beira do fogão, esquentando a barriga, submissa e permissiva.

Escorada numa base pop, R&B e um rap, Kelly questiona a empáfia do macho bundão e da sociedade que, se possível fosse, queimaria na fogueira a mulher que apenas quer ser o que é: Eu vou trabalhar, me dedicar aos estudos, me estabilizar, ter meu lugar no mundo, ser independente financeiramente, pra não ter que bater na porta de parentes, diz a letra. E tem mais: Eu não quero depender de ninguém, já pensou jogar na minha cara, que é isso, amigo? Não aceito isso, não.

Detalhe final não menos importante: há 15 anos, já tínhamos uma cantora questionando o machismo-xiita-extremista. Para os que aderiram ao feminismo por modismo, ele ainda nem era moda. Dá para tirar esse fato da ata da história da música brasileira?

Arthur Vilhena.

 

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