Ná Ozzetti: “Sinceramente? Não sei o tamanho da minha voz”

13835455_645961585558784_1253931077_oCerta vez, o engenheiro de som Eduardo Muszkat, criador da gravadora MCD, viu Ná Ozzetti cantar Boneca de Piche (Ary Barroso e Luis Iglesias) e Adeus Batucada (Synval Silva). Foi a deixa para o que viria a ser o oitavo disco de Ná, Balangandãs, de 2009: “Foi ele quem propôs que eu gravasse um disco com o repertório da Carmen. Na época, achei que seria muita pretensão. Mas depois, pela minha história de canto influenciado pelo canto da Carmen, achei que poderia contar a minha versão pessoal. Acabei realizando os shows primeiro, depois o disco”, pontua.

Há oito anos, em 17 de julho, na , estreou o show Ná Ozzetti Canta Carmen Miranda, episódio marcante para Ná: “Foi emocionante estrear este show em Curitiba. Minha relação com a cidade é especial, sim. Não só a minha. Curitiba sabe receber. Não é à toa que foi a primeira cidade fora de SP onde o Rumo e alguns grupos da Vanguarda Paulista tocaram na década de 1980”.

13840476_645961592225450_1169227460_oNo próximo dia 30 de julho, sábado, às 20h, no Teatro Sesi São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, a artista retorna ao Paraná para apresentar o show homônimo ao disco. Tudo fica mais especial porque, este espetáculo, não é apresentado completo há algum tempo, mesmo com algumas canções em outros shows.

Desde o começo, ano após ano, este trabalho já circulou por diversas cidades, resistindo ao teste do tempo. Para Luis Tatit, o repertório é formado por “uma sucessão de obras primas”, o que justifica sua longevidade. Para a artista, são ‘canções que estão no nosso DNA musical’. E complementa: “Desde que estreamos, senti que poderia apresentar este show pelo resto da minha vida, pois ele não é datado, pelo contrário, abrange muitas camadas de tempo”. Tudo isto é comprovado pela resposta do público, já que Ná fica impressionada ao perceber a familiaridade das plateias com o roteiro, independentemente da faixa etária: “Acho importante trazer à tona essas canções e a memória destes compositores e da Carmen Miranda”.

13835634_645961605558782_1026065161_oMas nem só da Pequena Notável vive esta cantora e compositora. Na árvore genealógica de seu ofício, constam dois começos: o primeiro, com o Rumo, em 1979: “Fazendo parte de um grupo com uma proposta musical interessantíssima, dentro de um cenário que nascia, envolvendo vários outros artistas com trabalhos inventivos”, afirma; o segundo, nove anos depois, com o lançamento de seu primeiro álbum solo: “Houve uma receptividade maior do que o esperado, principalmente por parte da imprensa. Tive que aprender a administrar uma série de coisas as quais não tinha ideia de como lidar”. É como Luiz Tatit diz em Estopim, nada é tão fácil no início.
De lá para cá, dentro do próCaixa Cultural Curitibaprio seio familiar, o irmão, Dante Ozzetti, compositor, arranjador e violonista, foi essencial na trajetória artística de Ná: “A maior parte da minha discografia solo é feita de uma parceria entre o Dante e mim. Eu vinha com o conceito e ele criava trazendo outras idéias, que eu trabalhava e juntos transformávamos em outras coisas. O processo era um toma lá dá cá criativo danado”.

Hoje, os números impressionam: são 11 discos solo e um DVD, além de outros seis com o Rumo e um último registro audiovisual com o já citado Rumo. Nesta profícua carreira, uma mineira, também cantora e compositora, definiu, através de uma música, o que Ná Ozzetti é como cantora: Cordeira de Deus no reinado do som. Trecho de Minha Voz, de Déa Trancoso, gravado em Embalar (2013, Circus).

13816750_645961582225451_1971466566_n“O disco Serendipity da Déa Trancoso é incrível! Sou apaixonada. Quando estava trabalhando no Embalar, tive vontade de incluir uma daquelas canções lindas da Déa. Quando ouvi “Minha Voz”, logo pensei em convidar a Mônica [Salmaso] para dividir a interpretação comigo. Pela voz que ela tem, que é um instrumento lindíssimo. Já trabalhamos juntas algumas vezes. Sempre maravilhoso.”

Este momento, em especial, lembra uma das grandes características de Ná como artista: “Adoro estabelecer parcerias, sobretudo trabalhar coletivamente”. Em outubro de 2012, em comemoração aos seis anos de existência, a revista Rolling Stone Brasil divulgou lista com As 100 Maiores Vozes do Brasil. Ná ficou na 70° posição. Uma grande voz, acima de tudo, é generosa.

Arthur Vilhena.

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