Mauro Sta. Cecília e Camões transformam cordel em música

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Compositor carioca se une ao autor de “Por você”, do Barão Vermelho

O baião e a MPB. O sotaque nordestino e o carioca. Estes são elementos presentes no número “Segue A Saga” composto pelo artista Mauro Sta. Cecília e o músico Camões. Conhecido por sua parceria com Frejat e Maurício Barros, Mauro Sta. Cecília também é poeta e escritor. Já Camões é uma das apostas da nova MPB e soma no currículo os EPs “Cupim” e “Anilina”, com uma sonoridade voltada para a mistura do violão de nylon e dos beats eletrônicos. A performance ganhou registro ao vivo, sob direção de Duda Monteiro.

Produzida durante o E.T.C (Espaço Temático de  Criação), a canção nasceu de um desafio. Os artistas deveriam criar alguma obra em cima de um tema proposto – neste caso, um cordel que contava a história do Seu Luís, um imigrante do Ceará para o Rio. Camões e Mauro decidiram compor uma canção em cima da estrofe que contava quando ele foi traído pela mulher.

“Da leitura até a data da apresentação, tínhamos 15 dias. Eu estava sem inspiração nenhuma, já tenso com o prazo. Até que o poema do Mauro veio como um estopim. Quando ouvi os versos: ‘A saga segue/ A saga da vida real segue’ num áudio que ele me enviou pelo celular, já saiu o refrão da música. Ali num táxi, no espanto, sem violão. Quase um espirro”, relembra Camões.

A parceria dos dois surgiu durante a oficina, mas eles já se conheciam de outros carnavais. Mauro foi um dos jurados do Festival Nova Música Brasileira, em 2012, quando Camões participou com a banda Os Lusíadas. No dia da leitura do cordel na oficina, Mauro reconheceu Camões e perguntou se podiam fazer algo juntos.

“Acabei fazendo esse ritmo de baião eletrônico que também serviu de base pra música que compus, inspirado tanto no cordel do Seu Luís quanto no poema do Mauro. ‘Segue a saga do solo seco do meu coração/ Segue amarga a dor do seu nego não ser mais eu não’. Aí o resto foi transpiração. Busquei referências melódicas do baião, quis contar uma história que encantasse, lapidando verso por verso para manter o suingue de um semi-repente”, explica o cantor.

Assista:

 

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