Jozi Lucka vai te fazer perder o medo da música pop

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Para quem acha que, no Brasil, pop é sempre diminutivo de popularesco, é chegada a hora de rever seus conceitos. Jozi Lucka é a prova. Trata-se de artista que preenche lacuna embaçada da música tupiniquim: não rebola até o chão, não canta sobre porres na balada, não compõe letras baseadas em onomatopeias. Mas é pop. E com aptidão, fruição e sentido.

Depois de quatro anos do último disco, esta cantora, compositora e violonista lançou, em 2015, seu mais novo e arejado trabalho: Brinquei de Inventar o Mundo. Apesar de repetir a boa companhia de Sani Guerra, que divide com ela a autoria da sexy Você é Real, além de ser responsável pela capa do CD e pinturas, Jozi aponta para novas – e bem-vindas – parcerias.

Tudo começa pela produção de grife, feita por Moreno Veloso, filho de Caetano que, longe da aba da saia do pai, acumula mérito próprio pela peculiaridade e qualidade do trabalho que desenvolve. Como se não bastasse, tocou, aqui, diversos instrumentos, indo de baixo acústico a surdo, passando por bongo e congas, entre outros.

E, neste novo mundo de Jozi, ainda tem espaço para Pedro Sá emprestar sua guitarra a Alegoria, samba à la Adriana Calcanhotto; Berna Ceppas e seu sintetizador marcam presença na romântica Dimensão; Cândida, também cantora e compositora, divide com Jozi O que Você Quer, faixa densa adornada pelos cellos de Moreno. E tem mais.

Presença maciça, Nenung responde, com Jozi, por seis das 12 faixas apresentadas. Na que batiza o álbum, Brinquei de Inventar o Mundo, fica a impressão que é fácil fazer música solar; O Dia da Bruxa, na letra, lembra os melhores momentos de Marina Lima; A Chave (perdida) do Sol e Transparência seguram o nível de composição; Completa, minimalista e com guitarras de Jozi e Moreno, cativa; No Cata-vento do Dia fecha deixando boa impressão.

Assinadas só por Jozi, Menina Preta e Dimensão lembram o que a já citada Marina Lima disse, certa vez, em entrevista sobre compor quando surgiu: Como compositora, você tinha que ficar brigando pra provar que não era uma salafrária. Ouvindo-as, confirmamos: não, Jozi não é uma salafrária.

Por fim, Onde Eu Sei é a última canção citada para ser a primeira que você vai lembrar quando ouvir este disco. Nela, a friburguense entoa: A vida inteira eu sempre quis chegar aqui com você. Parece que deu certo. Sina de cantora predestinada a ter, realmente, ouvintes?

Arthur Vilhena.

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