Joe Morello morre aos 82 anos

joemorello_02Joe Morello, o baterista que gravou o clássico “Take Five”, de Dave Brubeck, morreu dia 12 de março de 2011, aos 82 anos, devido a problemas cardíacos. Além de escrever métodos essenciais como “Master Studies” e “Rudimental Jazz”, Joe Morello foi professor e influenciou milhares de bateristas, como Nicko McBrain, do Iron Maiden.

Brubeck disse que a perda do amigo “foi um choque para mim”.

“Muitas pessoas consideram a seção rítmica do meu quarteto, com Eugene Wright (baixo) e Joe Morello, como sendo uma das mais consistentes e swingadas do jazz”, Brubeck disse num comunicado por e-mail para a Associated Press. “Bateristas do mundo inteiro se lembram de Joe como um dos maiores bateristas que já existiram”.

A decisão de Morello de se unir ao Brubeck Quartet, em 1956, pavimentou o caminho para os experimentos do líder com ritmos incomuns na inovadora série de álbuns chamada “Time”, nos anos 50 e início dos anos 60, que ganhou notoriedade da crítica e público.

“Joe foi um dos pioneiros em compassos compostos, e parte vital da série ‘Time’ do quarteto, pela Columbia Records”, disse Brubeck. “Seu solo de bateria em ‘Take Five’ ainda é escutado em todo o mundo”.

Brubeck teve a inspiração para “Take Five” depois de ouvir Morello tocar uma levada em 5/4 durante o aquecimento antes de um show com o saxofonista Paul Desmond. O pianista pediu a Desmond para escrever uma melodia em 5/4 para uma música que teria um solo de bateria de Morello. Brubeck sugeriu juntar dois temas que Desmond havia composto para criar “Take Five”, que se tornou um surpreendente hit nas jukebox e um dos mais conhecidos discos de jazz.

“Vou sentir muitas saudades. Ele era um homem maravilhoso, um baterista maravilhoso, um grande educador”, disse Marian McPartland, o pianista com quem Joe Morello tocou depois de chegar a Nova Iorque. “Quando começamos a tocar juntos (com o baixista Bill Crow), era claro que Joe se tornaria uma estrela, porque ele era fantástico em todos os sentidos. Logo se tornou um baterista muito solicitado, e teve que seguir em frente. ”

Em 1956, Morello recusou convites para participar das bandas de Benny Goodman e Tommy Dorsey para fazer uma turnê temporária com o quarteto de Brubeck, depois que o pianista prometeu apresentá-lo com mais destaque do que era usual para os bateristas de jazz da época.

No primeiro show do quarteto, Brubeck deu espaço para um solo de bateria, e Morello acabou ficando 12 anos com o pianista de. Morello ganhou o prêmio da revista Downbeat de melhor baterista por cinco anos em seguida.

Morello gravou mais de 60 álbuns com o quarteto, começando com “Jazz Impressions Of The USA” e “Dave Digs Disney”, em 1957. Joe Morello esteve com o quarteto na turnê de 1958, patrocinada pelo Departamento de Estado americano, que levou o grupo para 14 países, incluindo Polônia, Índia, Turquia, Afeganistão, Irã e Iraque.

Essa turnê inspirou Brubeck a explorar fórmulas de compasso incomuns no álbum experimental de 1959, “Time Out”, que se tornou o primeiro álbum de jazz a vender mais de um milhão de cópias. Além de “Take Five”, incluia também “Blue Rondo a la Turk”, um tema baseado num complicado compasso em 9/8 que Brubeck ouviu dos músicos de rua da Turquia. A bateria de Morello era proeminente em faixas como “Everybody’s Jumpin’” e “Pick Up Sticks”. No álbum seguinte, “Time Further Out”, de 1961, Morello faz um solo só com as baquetas, num outro clássico de Brubeck, “Unsquare Dance”, em 7/4.

Depois que Brubeck dissolveu o quarteto no fim de 1967, Morello passou a se dedicar ao ensino. Os amigos dizem que ele realmente gostava de ajudar os jovens músicos e ensiná-los as suas carreiras. “Ele fez muito por muita gente, e deve ser reconhecido pela pessoa importante que foi. A música era sua vida, ele realmente amava a música”, disse McPartland.

O Drum Channel Brasil sente muito a perda desse lendário baterista.

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