Guitarrista do Pink Floyd grava canção com coral de companheiros de prisão do filho

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Em 2010, Charlie Gilmour, então com 21 anos, filho do guitarrista do Pink Floyd, David Gilmour, foi condenado a 16 meses de prisão por vandalismo

O guitarrista do grupo Pink Floyd, David Gilmour, anunciou que seu novo single tem a participação de um coral compostos por ex-prisioneiros da cadeia onde seu filho cumpriu pena.

Gilmour gravou “Rattle that Lock” com o coral Liberty Choir, um projeto de reabilitação que inclui detentos e ex-detentos do presídio de Wandsworth, no sudoeste de Londres, além de cantores da cidade.

O roqueiro disse que o coral dá a prisioneiros “esperanças reais e otimismo”.

Seu filho Charlie cumpriu quatro meses de prisão no local em 2011, após ter sido preso em um protesto, no ano anterior, contra taxas na área da educação.

Ele foi condenado por desordem pública e violência no protesto, depois de jogar uma lata de lixo sobre um carro em que estavam membros da família real.

“A experiência do meu filho (na prisão) foi algo que teve um impacto em todos nós e nos deixou mais ciente dos problemas do sistema prisional e do que podíamos fazer para melhorá-lo”, disse Gilmour à BBC.

No projeto, membros de um coral do sul de Londres se reúnem no presídio para ensaios e aulas semanais com os detentos. Também há encontros fora da prisão em que ex-prisioneiros participam.

Sete desses ex-detentos integraram o coral de 30 pessoas que gravou Rattle That Lock. A canção é a primeira extraída do seu quarto álbum solo, que tem o mesmo nome da música e será lançado em setembro.

Veja trechos da entrevista que Gilmour deu à BBC.

BBC – Por que se envolver com o coral?
David Gilmour – Porque é algo maravilhoso ver esses caras cantando na prisão ao lado de pessoas do coral South London. Eles estão próximos do fim da pena deles e com isso têm um lugar fora do presídio no qual se sentem parte de uma comunidade. E isso é ótimo pra eles, eles se sentem mais valorizados.

Foi a experiência de Charlie que fez você se envolver?
Sim, pudemos ver como o sistema prisional funcionava e havia muita coisa errada. Mas também havia muitas iniciativas de pessoas que estão fazendo coisas por conta própria no que diz respeito a melhorar a situação das prisões e dos prisioneiros.
Achamos a iniciativa do coral, com um lado dentro e outro fora da prisão, muito bom.

Você foi até Wandsworth nesta semana – como foi?
Participamos de um dos encontros semanais com cerca de 20 prisioneiros e 20 pessoas do coral. Eles cantaram juntos. Há uma lista de espera na prisão porque mais detentos querem participar – e a sala onde ocorrem os ensaios é pequena.

O que detentos e ex-detentos falam sobre o coral?
Eu conversei com alguns deles e eles acham fantástico. E estão muito esperançosos que o projeto se espalhe para outros presídios. O coral lhes dá esperança real e otimismo de que eles não vão deixar a prisão e cair nas mesmas tentações. O coral dá a eles ao menos uma noite por semana com algo a fazer e onde se sentem valorizados.

“Rattle That Lock” é sobre prisão?
Não, é sobre algo para encorajar as pessoas a saírem da zona de conforto, acreditarem nelas mesmas e não serem apáticas.

Você vai manter o apoio ao coral?
Sim, eu e a Polly (Samson, sua esposa) somos sócios-patrocinadores. Queremos muito que o projeto continue e se expanda. Queremos voltar a Wandsworth e talvez ver se outros lugares querem abrir suas portas a projetos como esse.
Fonte: BBC Brasil

 

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