Entrevista – Daniel Murray , violonista, arranjador e compositor brasileiro

Como começou seu interesse pelo instrumento? Teve influência de alguém?

Ainda criança, meio de repente pedi um violão e ganhei um de verdade num final de ano! Lembro como se fosse ontem. A caixa era maior que eu…

Sempre estive nas coxias de apresentações dos meus pais bailarinos/ coreógrafos/ agitadores culturais…

Meu Tio José Murray e meu primo Guga Murray são violonistas e meus primeiros heróis musicais. Eles me apresentaram muitas coisas, jazz (Keith Jarret, Bill Evans…), música erudita contemporânea e música eletroacústica (Flo Menezes, Stockhausen, Berio…),

Com que idade vc começou a tocar? Aliás, existe uma idade apropriada para isso?

Comecei com 06 anos depois parei e voltei mesmo pra valer aos 13. Não acho que tenha uma idade ideal para se começar, depende de vários fatores. O importante é começar quando dá vontade.

Quais são suas maiores influências?

Julian Bream, Baden Powell, Paulo Bellinati, Fabio Zanon, Paulo Porto Alegre, Guinga, Ralph Towner, Marcus Tardelli, Heitor Villa-Lobos…

Estudei violão erudito com o professor Floriano Rosalino que me ensinou muito do repertório clássico para violão e que certamente me influenciou bastante! Ele também me levava nas rodas de choro onde ouvia, ouvia… e lá pelas tantas dava uma canja daquilo que estava estudando.

Como é fazer e sobreviver de música instrumental no Brasil hoje?

Você tem que se desdobrar em muitos! Violonista, compositor, professor, produtor e sobretudo não pode ficar esperando passivamente que algo aconteça. Tem que ir a luta! E essa luta não é solitária e sim de todos aqueles que acreditam que é possível fazer algo de bom, proporcionar o acesso a coisas novas e interessantes. Daqueles que acreditam que seja possível colaborar através da arte para uma mudança no comportamento auto-destrutivo do ser humano.

Além de seu trabalho no violão, vc também desenvolve uma carreira na música experimental. Como isso se deu?

Isso sempre aconteceu de forma natural pois gosto de descobertas, me alimenta a busca num terreno pouco explorado onde o inesperado é bem vindo.

Procuro fomentar novidades. Fazer coisas que não foram feitas ou aquelas que acho que posso acrescentar alguma coisa.

Onde o trabalho de seus dois novos discos se encontram?

Acredito que o trabalho desse dois discos “Autoral- Daniel Murray violão solo” (Independente/ Tratore) e universos em Expansão…” (ProaC/ Totem) se encontram (ou se encontrarão) através de minhas composições que estão presentes nos dois álbums. No primeiro, integralmente e no segundo, como pequenos comentários em “forma de homenagem” a compositores que gravei e admiro como Aylton Escobar, Flo Menezes, Arthur Kampela, Marcus Siqueira, James Correa, Lelo Nazario, Antonio Ribeiro, Mikhail Malt entre outros.

Qual sua opinião sobre o futuro da música e o que vc acha dessas novas mídias para a divulgação da arte?

As novas mídias já são uma realidade e as possibilidades de criação através destas também. Concertos pela internet, composições que usam essas mídias interligadas a música de concerto acontecem com cada vez mais freqüência, além de colaborações a distância, por exemplo. Sobre a tecnologia, precisamos desenvolver o nosso censo crítico para saber avaliar essas coisas que nos são dadas “de bandeja”, e saber aproveitar esse potencial de uma maneira positiva e que realmente acrescente algo. Esses vídeos e sons que vemos nas redes acabam ocupando grande parte do nosso tempo/espaço e muitas vezes sem nos acrescentar nada. Só usamos 10%, 15% do nosso cérebro! Não dá pra ficar perdendo tempo com bobagem, né?

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