A volta por cima de Tulio Fuzato

tulio_1Narada Michael Walden mandou um recado aos bateristas brasileiros no final da entrevista que deu ao Drum Channel Brasil (se você ainda não assistiu, recomendamos que assista): “A vida é cheia de problemas, de coisas que podem te botar pra baixo, coisa que podem te deprimir… Jogue tudo fora. Às vezes acontece para te deixar mais forte”. E num outro momento completa: “Continue acreditando em você!”. Essas declarações parecem combinar perfeitamente com a história do baterista Tulio Fuzato, que superou um enorme drama pessoal e conta a seguir, com bom humor e alto astral, como continuou acreditando em si mesmo.

“Meu nome é Tulio Fuzato, e sou Musico Profissional desde os 18 anos, quando eu não era um amputado ainda.

Eu tenho uma dupla amputação traumática AK / BK: (uma acima do joelhotulio_2 direito e outra abaixo do joelho esquerdo) – transfemural e transtibial.
Meu primeiro contato com a bateria foi em uma festa da escola em 1967 ao 10 anos, quando eu literalmente babei ao ver garotos de 15 / 16 anos tocando numa bandinha. Fiquei muito impressionado com o barulho e o ritmo. No intervalo eu blefei com baterista do “conjunto” dizendo que tocava bateria e repentinamente o carinha dos tambores me olhou e me deu as baquetas; sentei-me e comecei a tocar. Eu era um batera de alma, nasci dominando os ritmos! . Eu vim de uma família de músicos: meu pai tocava violão numa Seresta, minha mãe cantava e meu avô tocava acordeão nos bailes, e eu, envolvido com tudo isso, aprendi violão e canto (tenho teclado, baixo, guitarra, etc…). Depois de adulto comecei a tocar na noite e em estúdios como operador. Muitos anos depois, quando me formei em publicidade, passei por uma terrível crise: o desemprego, a relação a terminar, contas pra pagar, e drogas. Uma situação muito complexa. Foi quando apareceu uma forte depressão e eu segui usando antidepressivos e barbitúricos misturados ao álcool. De repente eu tive um mal súbito e caí da plataforma na linha do trem! Sete meses hospitalizado entre a vida e a morte…

ACONTECEU UM MILAGRE! Eu sobrevivi!
tulio_3 Depois de recuperado, meus amigos músicos me colocaram de volta na bateria novamente. Eu tinha tentado tocar guitarra, teclados e saí do hospital para produzir meu primeiro CD (ouça o MP3 no meu site). O amor aos tambores me fez voltar e estou aqui hoje, embora tenha limitações físicas, mas a arte de tocar foi praticamente recuperada e com muita destreza. Em 2005, recém reabilitado na ABBR, eu tinha um par de pernas de alumínio. Então, depois que eu construí meu website peças foram doadas por uma empresa de próteses americana – (os americanos ficaram de cabelo em pé me vendo tocar) – e montaram o que é hoje é uma prótese Hi-Tech.
Eu tive que ter um treinamento físico e mental muito duro no pedal de tulio_4bumbo para adquirir segurança para dominar o “punch”. De resto, a habilidade e rudimentos de ambas as mãos que eu já trazia de bagagem serviram para que voltasse a tocar descentemente. O grande diferencial agora de eu ser um baterista amputado é o controle. Antigamente eu tinha um temperamento impetuoso na bateria. Mas agora, meus amigos dizem que estou mais controlado para tocar. Maduro como um vinho velho! Devido à deficiência, eu preciso ser mais moderado e mais técnico!!! Não dá pra inventar ou querer mostrar serviço! Muitas vezes no final dos shows, as pessoas chegavam perto de mim, olhavam eu tocar. Elas não acreditavam que eu poderia estar tocando! Alguns iam pra casa espantados! Eles nunca imaginaram ver um “perneta” na bateria!

Há grandes preconceitos sobre pessoas com deficiência. “Ah! Esse cara não vai conseguir coisa alguma!” Mas agora, nós, pessoas com deficiência, somos uma parcela importante da sociedade moderna no mundo. Estamos exigindo (através de Leis) vaga no emprego, na universidade, na música, nas artes e em todas as esferas da vida humana. Todo o caminho de expressão. Não há outro modo. Depende de nós! Você pode desenhar com a boca. Você pode nadar sem braços. Você pode tocar os tambores sem as pernas.

tulio_5Não desista de seus sonhos! Eu não sei dizer o que seria de mim hoje sem a bateria e sem minha mulher (Lia Campos), minha empresária, amante, Roadie, faxina e cafezinho. Deus permita que eu possa ser fonte de inspiração para aqueles que desejam voltar a tocar e para aqueles que perderam um membro, e a esperança na vida. Abraços a todos meus amigos músicos. Meus humildes agradecimentos à família Drum Channel Brasil.” Nós do Drum Channel Brasil é que temos que agradecer a gentileza, a força e o exemplo do amigo Tulio Fuzato.
Saiba mais sobre Tulio Fuzato no site: www.tuliofuzato.com.br

Veja o canal de Tulio Fuzato no Youtube.

A TV Futura produziu em 2011 um documentário contando a história de superação de Tulio Fuzato, um músico que superou um enorme drama pessoal com a ajuda da bateria.

A TV Futura produziu em 2011 um documentário contando a história de superação de Tulio Fuzato, um músico que superou um enorme drama pessoal com a ajuda da bateria. Veja a seguir o documentário, agora com legendas em inglês.

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