DO INFINITO AO “LÉO”

Já são sete álbuns autorais lançados e inúmeros shows, que rodam não só o Brasil, mas toda a Europa, onde reside. Assim é a trajetória do músico mineiro LEO MINAX, que faz com que a música brasileira coexista com o jazz de uma forma harmoniosa e surpreendente. Pela primeira vez em Curitiba, o artista apresentou as canções de seu último álbum, LO QUE NO ESTABA ESCRITO, gravado ao vivo na Espanha e lançado em julho deste ano pelo selo europeu AULANALUA. Em LO QUE NO ESTABA ESCRITO, Minax apresentou canções inéditas, entre as quais se destacou a sua única parceria com a poeta Estrela Leminski, a canção MISMO, gravada no álbum da cantora Juliana Cortes, nome que se destaca, atualmente, na cena musical.

Você poderia eleger duas canções que representam sua obra como um todo?

Uau! Duas canções?! Acho que não (risos). Mas vou tentar… A minha obra publicada conta com muitas canções feitas em parceria. Em quase todas , eu sou o autor da parte musical delas. Porém, em menor número, já publiquei algumas canções nas quais figuro como autor da música e também da letra. Estas canções são especialmente importantes para mim, e acho que representam a minha faceta de criador de uma forma mais abrangente: a forma típica do cantautor, ou do songwriter. Entre elas, poderia destacar “Saúde”, incluída no disco DA BOCA PRA FORA (2009) e no disco SEM TIRAR NEM PÔR (2010). A segunda canção com estas características autorais poderia ser “Carinho”, incluída no meu disco mais recente, LO QUE NO ESTABA ESCRITO (2015).

Gosto muito destas duas canções, mas poderia indicar muitas outras que considero importantes para traçar uma referência que realmente represente de forma mais ampla a minha produção até agora! Achei legal escolher estas duas canções, mas há outros aspectos importantes na minha produção autoral. O gosto pelo ritmo e pelas polirritmias, por exemplo, poderia definir outro perfil, outro traço importante e, consequentemente, um outro critério.

Um músico mineiro que mora na Espanha há muitos anos. Como as influências dessas cidades tão distintas se apresentam em suas canções?

Belo Horizonte e Madri… Madri e Belo Horizonte… Acho que as influências da música brasileira e da música mineira, em particular, – especialmente a do Clube da Esquina – marcaram os meus primeiros passos criativos, junto a outras influências, quase todas estrangeiras. Eu consigo identificar claramente este processo na minha formação musical, e consigo detectar detalhes melódicos e harmônicos, por exemplo, presentes na minha musicalidade, e que vêm de uma época e de um lugar determinado do Brasil.

Por outro lado, as influências musicais espanholas estão mais difusas e menos claras. Sei que há muitas, são inevitáveis! Quando cheguei à Espanha, pensei que poderia aprender algo do violão flamenco, mas pouco a pouco vi que era muito complicado para mim! O violão flamenco exige muito virtuosismo! Curiosamente, foi na Espanha que me aproximei de forma mais séria do universo da música popular brasileira! Além disso, foi lá onde o músico Leo Minax pôde se aproximar mais do universo da canção propriamente dita, em que a elaboração do texto adquiriu uma importância muito grande!

Resumindo, foi na Espanha onde pude começar a desenvolver a minha forma de compor canções, que conta com influências mais ou menos nítidas destes dois âmbitos culturais – algumas vezes muito diferentes. Ainda que sigam  existindo influências de outras músicas, o mais importante para mim, como compositor, é poder seguir desenvolvendo a minha atividade com total liberdade criativa, tentando desbravar caminhos ainda não explorados anteriormente por mim!

Você é parceiro de grandes nomes da música, como Jorge Drexler, Vitor Ramil, Toninho Horta… Como é o processo de composição feito a duas mãos?

As parcerias exigem compenetração e cumplicidade. E, além disso, no meu caso, muita liberdade, para que os parceiros envolvidos possam mexer, sem medo, na melodia, na harmonia, na letra, no ritmo. Para mim, a única forma de comprovar se a parceria está boa é quando eu consigo realmente cantá-la como se fosse uma canção minha! Necessito sentir minha essência nela! Esta é a minha forma de compor com parceiros! (Uma observação: Toninho Horta é amigo, mas não é um parceiro, no sentido que emprego aqui para o termo. Este grande artista participou dos meus dois primeiros discos).

“Lo que no estaba escrito” foi gravado ao vivo em estúdio. Conte-nos sobre o processo de gravação e finalização do álbum. Quanto tempo se passou da ideia inicial à publicação?

LO QUE NO ESTABA ESCRITO começou a ser feito num momento de depressão econômica muito forte na Espanha. Decidimos ir ao estúdio sem dar muitas voltas ao projeto, sem contar com o produtor musical que eu vinha trabalhando em todos os meus discos anteriores. Foi um desafio! A gravação deste disco foi quase um ato de rebeldia da minha parte, já que também não era aconselhável encarar uma produção totalmente independente naquele momento na Espanha. Mas, pude contar com a energia, a musicalidade e o apoio incondicional dos grandíssimos músicos e amigos que me acompanharam no estúdio: Pablo Martín Caminero (baixo) e Borja Barrueta (percussão). Passaram-se três anos desde que as gravações começaram, até o momento da publicação do disco, em junho de 2015.

Sobre a arte gráfica do CD como um todo, você partiu de qual conceito?

O conceito é do fotógrafo Ale Megale . Gostei muito do que ele propôs! Precisamos ver a capa e a contracapa do CD para termos uma ideia mais ampla do projeto gráfico! Há nas imagens algo de decadência, própria de um período de crise e, ao mesmo tempo, uma pose hierática dos protagonistas na foto – incluindo o cachorro, Hugo, o mais hierático de todos! Eu gosto de pensar que a arte é poderosa, e que dela pode vir a energia que nos permite superar os momentos de crise. Acho que a nossa forma de posar nessa foto diz algo relacionado a este lugar que a arte deve ocupar (pelo menos para o artista): estar acima de todas as contingências transitórias desfavoráveis! Aí deve estar a nossa energia!

Com sete álbuns lançados, é a primeira vez que você vem à Curitiba. O que o traz à capital?

Muita vontade de conhecer a cidade, de conhecer de perto o clima artístico favorável que vive Curitiba, especialmente nos últimos anos. Isso é o que muitos me dizem! Vontade, também, de conhecer de perto artistas curitibanos com os quais já tenho relação virtual, e de conhecer novas pessoas. E, claro, muita vontade de tocar neste espaço tão emblemático, como é o Teatro Paiol!

Estrela Leminski e Juliana Cortes, duas das principais cantoras contemporâneas do cenário cultural curitibano, fazem participações especiais no seu show. O que te interessa tanto no trabalho delas a ponto de chamá-las para dividirem o palco com você?

Eu estava respondendo esta pergunta na resposta à pergunta anterior… (Acabei mudando para esta resposta, risos). Lá, dizia que o meu coração já chegou à Curitiba há algum tempo… É como se já tivesse andado pela cidade, se já tivesse vindo antes! Conheci pessoalmente a Estrela há pouco em Madri, uma das cidades onde ela tocou durante uma turnê que fez na Europa. Mas, antes disso, já tínhamos feito uma canção juntos: MISMO… Foi emocionante conhecer pessoalmente a Estrela depois de tanto tempo! Conheci a Juliana Cortes por causa desta mesma canção que escrevi há alguns anos com a Estrela. Juliana tinha escutado uma gravação que chegou às mãos da Estrela, e decidiu gravar a canção no seu novo disco! Um grande presente pra mim! Um grande presente e uma grande emoção poder visitar a cidade destas grandes artistas e, além disso, poder dividir o palco com elas! A Juliana, posteriormente, decidiu gravar outras canções de minha autoria no seu novo disco! Um privilégio! Em Curitiba, estarei com ela pela primeira vez! Admiro o talento artístico destas duas jovens artistas curitibanas, que têm as anteninhas sempre funcionando! Acho que falamos um mesmo idioma para as canções: a sensibilidade.  Assim fica tudo mais fácil! É realmente um prazer!

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