On Stage Lab realiza cursos intensivos para o mercado musical
7 de julho de 2016
Blear divulga primeiro álbum com shows e clipe
8 de julho de 2016

Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha vai além do encontro do eletrônico com o rap

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

27ccaec4-0ede-4d46-82dd-beeb0b245b52Foram as derivas sonoras multiétnicas do músico e artista visual Craca Beatque o levaram ao encontro do manifesto político-poético da MC Dani Nega. Desta parceria, surge o álbum inédito Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha (2016): um convite a um mergulho sensorial no oceano artístico dos universos desses dois artistas.

O disco de estreia da dupla propõe um repertório de grande força autoral em seus discursos e tessituras, com o som aliado ao videomapping que Craca – alter ego do produtor musical Felipe Julián – vem apresentando desde 2013.

Segundo Craca, Tralha é uma rede de pesca a qual geralmente prendem-se galhos, algas, sujeira e cacarecos deixados pela presença humana no substrato dos mares e rios. Craca arrasta sua tralha incorporado nesse homem-crustáceo, personagem sem nação, imigrante, clandestino que recolhe e coleciona fragmentos étnicos do mundo para temperar seu ensopado audiovisual, cujo objetivo maior reside em fazer humanos dançar.

Seu som, de matriz eletrônica, é produzido a partir de instrumentos tradicionais tocados de forma não convencional ou de dispositivos eletrônicos e traquitanas criadas pelo próprio músico. A esta sonoridade incomum e altamente dançante soma-se a voz firme e o discurso claro da atriz e MC Dani Nega, disparando versos sobre feminismo, racismo, política e amor. O álbum resulta, assim, em um trabalho ao mesmo tempo híbrido e ímpar.

As faixas instrumentais “Thorácica” e “Vintage Sci-Fi” abrem o disco, trazendo um mix de chill out music, cumbia, coco e afrobeat.

Na sequência, Dani Nega chega com sua voz suave e certeira para louvar as musas em “O Cantar” e, em seguida, adentrar à festa com o clima funk 70 das flautas de “Sou Preto Mesmo”, uma irônica reflexão sobre a inconsciente apropriação cultural daqueles que  “vestem o turbante, colam nos black… mas a polícia não para não”.

Atenção para as músicas “Preta Velha” e “Coxo Mole”, mosaicos bem carregados no tempero brasileiro. Em “Sonhos de Criança”, a MC embala o público na poesia dos seus sonhos, trazendo das profundezas de seu oceano pessoal tudo aquilo que lhe é precioso.

Imaginem só o que pode acontecer quando uma mulher fortalecida resolve reagir contra toda a opressão”. “Papo Reto” é para aqueles que não temem uma “preta muito perigosa”. Clímax político do disco, essa canção de punhos erguidos convoca as mulheres à luta contra o machismo com o peso de uma capoeira trip-hop eletrônica.

“Lama Seca”, “Cuidado!” e “Marujada” encerram esta volta ao mundo dentro da rede poética e dançante de Craca e Dani Nega.

Em tempos de revoluções, Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha é certamente um trabalho amplo e transmidiático que, como a tralha de uma grande enxurrada de ideias e ideais, arrasta para dentro de si a marca dos dias atuais, que são complexos, amorosos, festivos e políticos.
FICHA TÉCNICA:

Composto e produzido por: Craca Beat
Vocais: Dani Nega
Letras: Dani Nega
Mixado por: Ricardo Mosca (exceto Thorácica, mixada por Craca)
Materizado por: Felipe Tichauer @ Red Traxx Mastering
Baixos, samplers, arpegiators, guitarra, violasintetizadores: Craca Beat
Samples e sintetizadores adicionais: Jovem Palerosi
Zabumba: Arnaldo Nardo
Trombone e Flauta: Gil Duarte
Samples adicionais: Freesound.org
Samples adicionais de berimbau: Gilberto Assis

 

Faixas:
1- Thorácica
2- Vintage Sci-Fi
3- O Cantar
4- Sou Preto Mesmo
5- Preta Velha
6- Coxo Mole
7- Sonhos de Criança
8- Papo Reto
9- Lama Seca
10- Cuidado!
11- Marujada

 

OUÇA Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha:
Spotify
Deezer
iTunes
Google Play
OUÇA Faixa a Faixa exclusivo para a Deezer Brasil

Sobre Craca

Não é a toa que suas performances são um oceano para os sentidos humanos. Para os olhos, Craca realiza projeções mapeadas em tempo real – imagens e cenas exibidas simultaneamente que se encaixam na arquitetura dos espaços – profundamente inspirado pelos experimentos do pré-cinema (como as sequências fotográficas de E. Muybridge ou o documentarismo de Jean Painleve), antigos desenhos animados vintage e filmes sci-fi com direito a monstros submarinos e sereias assassinas, ao mesmo tempo que, para os ouvidos, as sincroniza com um híbrido som eletrônico de genes brasileiros, o qual chama de “cracabeat”.

Desde 2013 o artista já levou seu trabalho a festivais culturais renomados como a SIM São Paulo, Contato, Virada Cultural e festas do meio underground como Voodoohop, Calefação Tropicaos, Free Beats, Cósmica, Avonts, Barulho.org e TrendBeats.

Durante 10 anos o músico circulou o Brasil e a Europa integrando o projeto coletivo Axial, com quem ganhou o Troféu Catavento na categoria de Música Experimental e o Prêmio Ney Mesquita, que contempla projetos de cunho inédito e inovador.

A tecnologia estilo “do it yourself” é marca das instalações e shows do Craca, que cada vez mais dialogam com performances de live cinema, chegando a ser considerado um dos importantes shows de 2014 pelo site especializado NowLoading.

 

Sobre Dani Nega

Dani atuou junto a importantes coletivos de teatro, com destaque para o pioneiro Núcleo Bartolomeu de Depoimentos – grupo que une o teatro épico à linguagem hip hop -, onde pôde desenvolver sua linguagem de atriz-MC. Foi apresentadora de programas de TV e no cinema trabalhou como atriz no longa-metragem “A Invasão de 76”, com direção de Ricardo Aidar.

Com voz doce e poderosa e discurso simultaneamente poético e político, Danieli Lima da Silva é tiro certo da música brasileira para os próximos anos e metralha flores aos que não temem uma “preta muito poderosa”.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Os comentários estão encerrados.

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com