Confira nossa entrevista com Pedro

Uma das agradáveis surpresas de 2016, o EP de Pedro intitulado Zam tem sido indicado como um dos materiais que merecem atenção neste ano. No último sábado (01/10/2016) batemos um papo com o catarinense sobre seu projeto.pedro_zam

O som orgânico e as letras sinceras de Pedro ganharam corpo no EP, seu primeiro registro em estúdio, que traz cinco faixas de puro folk-rock. Este trabalho é o resultado de uma viagem a Dublin no ano de 2015, onde a experiência de dividir palcos com outros músicos de várias nacionalidades trouxe a urgência de mostrar seu trabalho autoral.

Na volta desta viagem, o projeto amadureceu com seu amigo Marco Bueno, da Não Ao Futebol Moderno, e o registro do EP foi simples. Com a proposta natural do folk, as faixas foram gravadas digitalmente com o mínimo de retoques.

O lançamento foi no inicio do ano, com músicas em português e inglês, a aceitação foi mútua e suas músicas têm atingindo público nacional e estrangeiro.

A música entrou na vida de Pedro como uma forma de terapia, por indicação da escola, o jovem quieto foi inscrito em fanfarra e coral, assim nasceu esta paixão pela música. Começando cedo, aos 14 anos já se apresentava em sua cidade com voz, violão, “cara e coragem”, hoje Pedro é professor de técnicas vocais e vive de música. De forma bem espontânea, ele gosta de lembrar que o incentivo de casa o fez acreditar em seu trabalho.

Nossa equipe entrevistou Pedro. O músico contou um pouco sobre seus passos na música, cenário independente, sua experiência no exterior, o EP e seu futuro.

Confira um pouco da entrevista:

CM: Você começou com voz e violão, mas sempre trabalhou com música?
Pedro: Eu sou fisioterapeuta formado, me formei no final de 2014, mas me apresento na noite desde que eu tinha 14 anos. Sou professor de música, acabei atuando na fisioterapia mesmo só em 2015, mas desde 2012 dou aula de música, comecei com aulas de violão e hoje sou professor de técnica vocal. Dou aula na escola que estudei, fiz aula de canto por 6 anos e hoje sou professor nesta escola. Hoje eu só vivo da música, seja dando aula ou em cima do palco.

CM: Catarinense, mas já é paulista de “carteirinha”?
Pedro: Desde novembro do ano passado eu tenho vindo pra cá (São Paulo)! Em abril desse ano, lancei o Zam na Mooca, e desde então tenho feito apresentações cada vez mais frequentes por aqui. Eu sou um cara do interior, minha cidade tem 80 mil habitantes e depois de 11 anos a sensação de conforto é ótima, mas acaba se transformando em um ensaio aberto, aqui o espaço é maior. Hoje eu não faço a mínima ideia de quem vai me assistir e essa é a graça, novos públicos e desafios.

CM: 11 anos, conta um pouco das dificuldades do começo e a aceitação?
Pedro: Sempre foi complicado, até hoje é complicado. Mas no começo é o amadorismo, eu sou da escola do “faça você mesmo” né, então aprendia a música, imprimia as cifras e aprendia os acordes, “achava que sabia cantar” e ia pro palco! Dava a cara a tapa, moleque metido e acabava me apresentando.
Já levei muita vaia e já esqueci a letra dá música no meio da apresentação, mas acho que tudo isso faz parte e tudo isso foi um aprendizado. Por maior que seja o tombo, você aprende, caleja, constrói e cresce.
Hoje as dificuldades são outras, mas não deixam de aparecer, o mais interessante é você acabe evoluindo e se reconstruindo. É um exercício constate. Quanto mais você toca, quanto mais se interessa por música, mais artistas você conhece, você nunca chega ao máximo. Tudo é um aprendizado, tudo você quer trazer para sua apresentação, para você se manter relevante! Se eu soubesse tocar as mesmas músicas que eu aprendi a tocar a dez anos atrás, eu seria o cara que toca violão no churrasquinho do quintal de casa.

CM: Fala algumas das suas influências.
Pedro: Clube da Esquina, Duca Leindecker, Ney Matogrosso eu acho um grande artista, Jeff Buckley, Damien Rice, Glen Hansard, City and Colour e tem vários outros.

CM: Na sua visão de música, para seu projeto você vê uma projeção musical? Ou o folk será sua casa?
Pedro: Eu acho que é uma evolução natural do artista, vislumbrar novos horizontes. Quando você sai da sua zona de conforto, ali você tá fazendo o certo, surpreender o público é um trunfo que você tem. Assim como eu gosto de artistas que tem a mesma qualidade no disco quando você vai ao show, acho interessante ser surpreendido.

 

CM: No independente, como tem sido o trabalho e a interação com outras bandas?
Pedro: Por mais diferente que seja a banda, o senso de comunidade com a cena underground e independente tem que ser constante para que todo mundo acabe ganhado. Então, em festivais que tocam bandas de estilos diferentes – vai tocar uma banda de hardcore e eu vou tocar depois – não tem nada a ver e essa é a graça. Por que não trocar ideia com a banda, ter um contato antes?
Acho importante ter esse laço, pois às vezes o meu público não é necessariamente o seu, mas se for o nosso público a casa enche, você ganha visibilidade e essa é a intenção de qualquer banda.

CM: E em propaganda? Como tem sido divulgar um projeto em 2016?
Pedro: As redes sociais têm sido o principal veículo, apesar de eu ser um pouco receoso em como as coisas acontecem na internet. Eu acho que a propaganda é bacana, no Facebook a divulgação tem aquele efeito dominó. Mas o mais importante acontece fora da internet, o comparecimento do público! Essas interações devem ser uma forma do público me alcançar mais rapidamente, mas o pessoal precisa comparecer ao show.

CM: Continuando na linha da Internet, com as ferramentas de streaming e divulgação, a venda de suas músicas tem sido mais efetiva?
Pedro: As músicas em inglês são as mais ouvidas por essas plataformas digitais, consequente mente eu alcanço o público de fora do país, e esse público tem o costume de comprar. Assim a internet acaba me auxiliando neste ponto também.

CM: Como tem sido a resposta do público ao teu trabalho?
Pedro: Nos últimos shows eu já tenho visto um retorno, o pessoal tem sido cativado. Após os shows tenho ouvido comentários sobre como o som está bacana ou algum cover que a pessoa tenha curtido. Esse contato com o público –  você agradecer o cara que está te prestigiando – é importante, e essa mesma pessoa que você tratou bem vai comparecer aos próximos e compartilhar seu trabalho. A proximidade e o respeito ao público ainda é a melhor maneira de divulgar seu trabalho.

CM: Para o futuro, quais são os próximos passos para o projeto?
Pedro: No primeiro semestre de 2017 tem disco! Provavelmente agora eu termino as apresentações de divulgação do EP, e depois disso me interno em estúdio, começo a gravar de novo. Provavelmente vou manter o mesmo esquema, vou chamar outros músicos, manter uma formação itinerante. Eu gosto de ter os arranjos já prontos na minha cabeça e tentar conciliar com as ideias de quem tá gravando comigo, essa coexistência só agrega. Pretendo regravar as músicas do EP e com mais 5 ou 6 músicas inéditas.
Essa vai ser a cara do meu disco: O EP rearranjado e amadurecido e mais algumas músicas inéditas.

Após a entrevista, acompanhamos um show acústico no Augusta 339 onde Pedro executou covers de City and Colour, uma de suas influências. Vale apena conferir e acompanhar este trabalho.
Ficamos no aguardo do lançamento de seu disco.

 

Escute a música Wrong do EP Zam:

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