Confira nossa entrevista com Guaiamum

Projeto do musico Daniel Ribeiro, Guaiamum lançou seu álbum homônimo em julho deste ano e deixa sua marca em 2016.

Com um material maduro e completo, a sonoridade do álbum é o ponto principal deste trabalho, que traz sensações diferentes, abrange um universo de arranjos e carrega letras sinceras e profundas.

Daniel trás uma bagagem acadêmica musical que garantiu a transição do mais puro folk até o progressivo com máxima excelência, fazendo com que cada música traga experiências e sensações diferentes. Com bastante profundidade, Dawn é o convite de entrada, um instrumental onde a melodia comunica exatamente o sentimento de alvorecer e abres as portas para esta obra envolvente.

Tivemos a oportunidade de entrevistar este expoente da música independente, um compositor, cantor e multi-instrumentista que exala talento.

Confira como foi:

CM: Como o principal foco do canal é falar sobre música independente, além de focar no álbum, gostaríamos de abordar seu trabalho e quais são os desafios deste cenário.

Daniel: No cenário independente não existe uma estrutura de trabalho organizada. Acho que todo mundo sai descobrindo o que deve ou não fazer na prática, o que gera um crescimento pessoal interessante, mas ao mesmo tempo transforma tudo num processo muito custoso e as vezes se gasta muito tempo pra descobrir coisas que são relativamente simples. A gente precisa se preocupar com uma série de fatos e funções extra musicais pras quais a gente nunca se preparou ou sequer estava a par de que precisaria saber fazer. Não sei quão diferente isso é do cenário mais mainstream porque nunca fiz parte dele, hehehe, mas essa é a experiência que tenho tido até aqui.

 

CM: Como foi o processo de gravação do álbum homônimo?

Daniel: Foi muito bom, aprendi muita coisa durante a gravação (entre fevereiro de 2015 e começo de 2016). Começamos com as baterias meio que no susto porque o Matheus (Barsotti, que mora em Blumenau) estaria em São Paulo gravando o disco da ‘Estella Viva’ (que ficou sensacional por sinal). Então nos encontramos num dia para discutir os arranjos, ensaiamos no seguinte e fomos para o estúdio Abacateiro gravar tudo em apenas uma seção. Foi um pouco louco, até inconsequente, mas confio muito no trabalho do Matheus. Ele toca sempre exatamente o que eu tocaria se fosse baterista, é meio assustador! Foi no Abacateiro que o Davi Martin gravou os baixos também

Depois disso comecei os violões no Estúdio Desterro do Vitor Moraes, que acabou virando produtor do disco comigo. Ele foi essencial no processo todo. O Matheus apresentou a gente por email mesmo, batemos um papo e acabamos criando um clima de trabalho muito legal. Muita coisa a gente importou das demos que gravei em casa durante os 10 anos que fui compondo as músicas: o banjo da Riot, o acordeon da Dawn, os violões da ‘Convenience’ e alguns vocais. ‘Future Archaeology’ é a versão homemade original na integra, com erros e tudo, hahaha. Preferi preservar o clima que algumas dessas gravações tinham, do momento de criação. Acho o clima sempre mais importante que o resto. Pra mim esse é o grande desafio de gravar, conseguir fazer rolar aquela vibe da performance no estúdio, com um computador de audiência. É estranho. O Vitor ajudou muito nesse sentido.

Dai fui pro YB gravar os cello e os violinos com o Guilherme Faria e a Daniela Rizzi. Sabia que eles tinham um Mini Moog antigo lá, um teclado dos meus sonhos de adolescência… da vida toda pra ser sincero. Usamos ele pra gravar um baixo na ‘Dawn’.

A mixagem foi relativamente rápida porque eu o Vitor nos entendemos muito bem. É essencial você achar alguém que esteja na mesma frequência que você, que tenha uma percepção estética compatível com a sua se não cada um começa a correr em uma direção, as sonoridades começam a ficar diferentes do que se imaginava e isso pode acabar sendo frustrante. Mas a gente conversou bastante sobre referências como Elliot Smith, Iron & Wine, Jef Buckley, Pink Floyd, Radiohead e Smashing Pumpkins e sabiamos a direção que estávamos seguindo.

 

CM: Compor em inglês é mais natural para você? Ou o é uma opção de trabalho para atingir outros públicos além do nacional?

Daniel: A maioria das minhas referências cantam em inglês e sempre gostei da ideia de fazer algo universal. Foi algo natural escrever em inglês, não foi uma escolha muito consciente nesse sentido. Quando percebi que era tudo em inglês tentei escrever algumas em português, mas não ficaram prontas a tempo pra entrar no disco. Quem sabe no próximo elas entrem. Acho legal misturar línguas que nem no ‘Cavalo’, do Rodrigo Amarante. Ele muda de português pra francês e pra inglês e volta dum pro outro e o disco não fica confuso por isso. A sonoridade das línguas funcionaram muito bem pra cada música. No final das contas o que me importa pra mim é a sonoridade. Até hoje não sei as letras de várias músicas que já escuto as 20, 25 anos! A letra vem depois pra mim, se vier (como é o caso de ‘Dawn’ e ‘Gotas’, que são faixas instrumentais). Costuma ser a parte mais difícil pra mim.

 

CM: Você classifica teu som como “Folk”, ou acredita que esses rótulos limitam seu trabalho?

Daniel: Tive problemas com rótulo no começo, me incomodava chamarem de folk, mas não tenho tido mais. No começo me chateava a ideia de que “isso é isso, aquilo é aquilo e ponto”. Não acho que o Guaiamum seja apenas folk, mas quem for parar pra ouvir e sacar o som vai perceber as influências e de onde as coisas vêm e pra onde vão. E se não perceber não tem problema também. Adam Jones do Tool disse isso uma vez e concordei muito. O que importa é a música fazer alguma coisa com a pessoa, levar ela pra algum lugar, à alguma conclusão. Não importa pra onde nem como e muito menos se tem a ver com o que eu pensei quando compus ela. Não que eu não queira dizer algo com essas músicas (e o folk é um ótimo estilo pra se contar histórias), mas acho que a experiência do ouvinte é mais importante.

 

CM: Você acredita que hoje, com as ferramentas de streaming, a música independente ganhou mais espaço?

Daniel: Eu não participei muito do mercado pré-streaming então não tenho muito parâmetro. Me parece que quanto mais flexibilidade e agilidade a exposição do trabalho tiver melhor. Se a pessoa precisar entrar em algum site, clicar na aba certa, preencher um formulário, blá blá blá…. já era, ela vai ouvir aquele outro disco que já ta na mão ou ver aquele video que já conhece no YouTube. Se todo mundo tem seja qual for o serviço de streaming no celular e escuta o que quiser não faz sentido eu me opor, independente do que eu acho do serviço. Pelo menos no momento é assim que penso. Prefiro mil vezes que as pessoas comprem o CD e ouçam em casa no silêncio com um som legal ou um phone de ouvidos de boa qualidade, mas não tem como controlar o forma como as pessoas consomem música. Já me alegra se elas consumirem! Então acho que sim, as pessoas podem escolher o que querem ouvir e não estão sujeitas a um canal ou estação ou o que for que decida o que elas vão ou não ouvir.

 

CM: Além dessas perguntas, deixo o espaço para você fazer suas considerações, falar do trabalho e convidar o público para comparecer em seus shows.

Daniel: Dia 17/12 tem o último show do ano no Teatro Da Rotina em formato duo com Davi Martim no baixo. A gente vai fazer uma apresentação acústica sem microfone ou qualquer tipo de amplificação então vai ser um show bem intimista com clima de casa. Ouvi dizer que vai ter música nova inclusive. Esperamos vocês por lá!

E não esqueçam de seguir o Guaiamum no Facebook, Instagram, Spotify e YouTube pra ficarem por dentro das novidades.

 

O álbum está disponível em várias ferramentas de streaming e também pode ser adquirida a cópia física através do e-mail guaiamummusic@gmail.com

Guaiamum, um trabalho que você precisa ter o álbum em sua estante, ter as músicas em suas playlists e também orgulho de dizer que assistiu ao vivo.

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