Alzira E: ‘Minha carreira nunca foi uma opção, sempre foi o que eu tenho para dar e para fazer’

Ao falar de Alzira E, vamos para Curitiba. Sua família inteira, em 1972, se mudou para cá; Humberto, o irmão mais velho, se formou em jornalismo por aqui; na vida profissional, junto a Itamar Assumpção (13-09-1949 – 12-06-2003), durantes as décadas de 80 e 90, fez vários shows, assim como com Tetê Espíndola nos espetáculos “Anahí” e “Música Pantaneira”. Nos dias 20 e 21 de junho de 1992, se apresentou, no Teatro Paiol, lançando o disco “Amme”. Na época, estava grávida do quinto filho, o único homem, Joy Espíndola.  É como a própria diz: “Curitiba é de muito tempo, nossa relação é pessoal e profissional. Minha ligação com essa terra não vai acabar nunca”.

Foto: Feco Hambúrguer

Foto: Feco Hambúrguer

Mesmo assim, Alzira já amarga quase sete anos sem vir a capital do Paraná. A última vez foi no dia 17 de outubro de 2009, no já citado Paiol, junto a Alice Ruiz, promovendo o disco “Paralelas” (2005, Duncan Discos). O jejum será quebrado nos próximos dias: de 28 a 31 de julho, na Caixa Cultural Curitiba, junto a irmã Tetê, a campo-grandense mostrará canções de “Anahí” (1998, Dabliú Discos).

“Após o lançamento desse álbum, ficou oficializado o nosso encontro musical, mas que na verdade começou na infância, então, estar nisso desde que nasci é muito natural. Sempre uma magia, uma raça e um sangue, onde me entrego num repertório das coisas vividas em comum por nós duas”, afirma.

Antes deste trabalho, a artista já havia lançado, com os irmãos, o LP “Tetê e o Lírio Selvagem” (1978, Philips). Em carreira solo, além de um compacto, lançou outros três discos. A estreia é guardada com carinho: “Uma benção da música da minha terra natal, Matogrosso do Sul, tanto que, esse álbum, foi produzido por Almir Sater e onde também apresentei interpretações de compositores de lá”.

Reconhecida como cantora e compositora, com 12 discos no currículo, Alzira também já dedicou um CD inteiro ao cancioneiro alheio, no caso, ninguém menos que Maysa (06-06-1936-22-01-1977). Ainda durante a infância, Humberto, seu irmão, a colocava para ouvir a cantora com a mãe. Um dia, “Depois que o Itamar [Assumpção] gravou Ataulfo, ele me disse que todo compositor deve eleger uma obra para interpretar. Foi quando eu descobri que, para mim, então, seria Maysa, como compositora”. Resultado: “Ninguém Pode Calar” (2000, Dabliú Discos), seu quinto disco.

Com mais de 30 anos de carreira, fiel ao que é e não a preocupações mercadológicas, Alzira construiu trabalho que fala por si só, o que nunca lhe deixou dúvidas: “Por tudo que vi e por tudo que também não vi, nunca pensei em desistir, porque seria igual a desistir de mim mesma”. Mesmo se não tivesse ido para São Paulo, o destino nem mudaria tanto: “Acho que estaria fazendo música, sim. Em MS, a nossa geração musical expandiu muito essa área de trabalho, e de lá para cá, Campo Grande é polo de compositores, produtores no estado e até mesmo na vizinhança latina”.

A bagagem de vida, mais forte com o aprendizado do trabalho, ajudou a forjar a Alzira que, ciente da responsabilidade que é fazer arte, preza pela liberdade. Caso contrário, depois de receber, em 1992, a indicação como melhor cantora pop no extinto Prêmio Sharp, estaria presa a um segmento que não dá conta de lhe definir: “Foi fundamental receber essa indicação, porque isso me tirou rapidinho do nicho dos sertanejos, música rural e, assim, pude adquirir mais liberdade para fazer a minha tal qual ela é e da qual eu me sinto a única refém e gosto disso”.

Mas não é só no campo profissional que Alzira colhe louros. A família Espíndola já está na segunda geração de artistas. Dentro da própria casa, Alzira responde por três, devidamente encaminhados: Iara Rennó, cantora, compositora e poetisa, já acumula sete discos e um livro de poesias eróticas; Luz Marina, debutou em 2013 com disco que leva seu nome; Joy Espíndola, segundo a mãe, ‘já mostra sua veia de compositor e cantor’.

Figura emblemática e essencial na vida de Alzira, Itamar Assumpção, mola propulsora de seu penúltimo disco, “O que Vim Fazer Aqui” (2014, Traquitana Estúdio e Discos), deixou saudade e indagações, como por exemplo: o que ele estaria fazendo? Para ela, ‘criando, compondo com suas características principais, inovando e surpreendendo. Pergunto o que ele acharia do mundo de hoje. Alzira, com categoria, usa uma frase do próprio: “O fim do mundo pra mim fica bem dentro de ti! ”

Arthur Vilhena.

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