De Pernambuco para o mundo – Airô Barros, a nova voz da MPB – Entrevista para Ariel Bonfim

b_IMG_9014Já faz cinco anos que ouvi, pela primeira vez, a voz da Airô Barros. Desde esse encontro, procurei saber tudo dela. Fui gostando do que vi. Ela é uma artista múltipla, que passa pelo canto, composição, artes plásticas e poesia. Nesse tempo de trevas, é um bálsamo sua existência.
Pernambucana que além do estado de origem, já passou por sampa e agora está em Araucária, no Paraná, região metropolitana de Curitiba, Airô já conta com muitos anos de estrada, anos em que vem prestando relevantes serviços a música popular brasileira.Prova disso são os dois CDs que lançou e um livro de poesia, pura arte genuinamente brasileira. Além de tudo, de maneira discreta, ela conduz um trabalho que, se você já leu até aqui, deve continuar para conhecer melhor. Aventure-se no fantástico mundo de Airô Barros na entrevista abaixo!

 

Você já lançou dois CDs, um livro e tem vários anos de carreira, mas ainda não é tão conhecida. O que atrapalha o artista independente para ser conhecido pelo grande público, pela massa?

Falta de oportunidade, necessidade de dedicar-se a outras atividades para pagar as contas, enfim…

Em Terra em Transe, você gravou duas canções de Jean e Paulo Garfunkel. O que te interessa tanto no trabalho deles?

A busca pela excelência, a seriedade com o trabalho, a genialidade e, principalmente, a generosidade!!! Aprende-se muito com pessoas sensíveis e generosas.

Pausa teve repertório selecionado por você mesma. Como escolhe as músicas?

Sim. Praticamente todo o repertório do CD foi escolhido por mim. Como recebi muitas músicas, todas pérolas preciosas e havia decidido gravar 14 faixas, precisei pedir a ajuda do Merlino para definirmos no final.

Fernando Merlino tocou piano, fez arranjos, produção e direção musical de Pausa, seu segundo CD. Qual a contribuição dele para esse projeto?

Merlino é o maior responsável pelo êxito desse projeto. Figura encantadora, sensível, perspicaz e com uma grande capacidade de liderança, sem tornar o ambiente de gravação pesado. Pelo contrário, torna tudo leve, divertido e agradável. Consegue tirar o melhor de todos e de cada um, no menor espaço de tempo. Gravamos o Pausa em apenas quatro dias.

O que você pensa a respeito do pouco espaço dado a poesia nos dias de hoje? Está faltando poesia no mundo?

Acho uma pena!!! Um desperdício! Com poesia tuuudo fica melhor, mais bonito, mais doce, mais feliz! Com certeza teremos mais tolerância, humanidade e solidariedade se nos alimentarmos de poesia.

Como avalia seu primeiro livro, Frágua?

Singelo e verdadeiro.

Pensa em fazer uma exposição com seus quadros? De onde surgiu o interesse pela pintura?

Interessante essa pergunta. Hoje passeando pela PUC, vendo algumas esculturas lá, senti vontade de voltar a pintar. Quero sim criar novas telas para uma exposição.

De forma despretensiosa, sempre gostei de misturar tintas. Em 1991, quando trabalhava como secretária na Itautec, pintava cartões com frases da música brasileira e vendia na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação, além de vender também para amigos e parentes. Naquela época, o resultado dessas vendas ajudou a completar meu orçamento e também pagou algumas viagens. Em 1995, minha sala de trabalho era num ambiente muito sem graça. Resolvi mudar isso. Comprei uma cartolina e pela primeira vez saí do pequeno cartão para a cartolina. Fiz então uma pintura gestual, bem colorida e alegre. Foi realmente uma surpresa, para mim, os comentários que esse quadro suscitou. As pessoas que chegavam na sala não sabiam que o quadro era meu. Elogiavam, comentavam que a sala havia ficado bem mais aconchegante e bonita, daí vi que dava para ousar um tantin mais e foi assim que comecei a fazer performances (canto, poesia e pintura) Apresentei-me na Marquise do Parque do Ibirapuera, no Poupatempo, na Casa da Fazenda do Morumbi, no Festival de Inverno de Campos do Jordão, somente para citar alguns lugares. Tanto a capa do Terra em Transe, quanto a capa do livrin Frágua são telas minhas.

Como foi estudar com freiras?

Nos dois primeiros anos foi bem difícil. Afinal, eu tinha apenas oito anos. Depois desse tempo, percebi que para “sobreviver” precisava me adaptar. Depois disso, aprendi a usar as situações de uma forma positiva e aprender com elas. Foi muito bão ficar oito anos como interna. Aprendi muito de disciplina, respeito ao próximo e conviver em grupo.

O que você espera do futuro em relação a sua arte?

Vivo um dia por vez. Procuro dar o meu melhor em tudo e deixo que Deus cuide do detalhe e me coloque onde quer que eu esteja.

Quais artistas te influenciam?

Maria Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso,   Gonzaguinha, Tom Jobim, Vinícius, Gladir Cabral, Jorge Camargo, Rosa Passos, Fernando Merlino.

Em Curitiba, quem você indica o trabalho? De música?

Trio Quartinha, Ricardo Ribeiro, Cida Airam, Marcos Iwanowski, Gusta Proença, Davi Sartori, Sandro Guaraná, Iria Braga.

Por Ariel Bonfim.

1 Comentário

  1. Airô Barros

    Obrigada pelo carinho Ariel!!! Fiquei bemmm feliz! Cheirin lindrin!

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