A primeira vez a gente nunca esquece

Capa DiscoTudo sobre o lançamento de Cida Airam, artista forte e de personalidade
Do frio curitibano, vem a nova voz da MPB: Cida Airam, cantora e compositora. Natural de Natal, Rio Grande do Norte, ela
vive há pouco mais de dez anos na capital do Paraná.
Depois de muitas andanças, shows solo, parcerias, experiências fora do Brasil, espetáculos com o Vocal Brasileirão, ela se lança no mais ousado passo: sua estreia em CD.
Luis Otávio Almeida, que toca guitarra nesse trabalho, assumiu também a produção musical e arranjos, que proporcionam um mix da fervura do Nordeste com a musicalidade eclética de Curitiba.
E antes dela fazer a próxima apresentação, 23 de janeiro, 15h, na Boca Maldita, através da 34° Oficina de Música de Curitiba, você confere tudo sobre as 13 faixas que formam essa estreia, muito bem-vinda, por sinal.

CD Cida Airam – faixa a faixa

1-Aparelho de Memoriar (Patrícia Polayne) – Estou sempre pesquisando música na internet. Achei Aparelho de Memoriar, da Patrícia Polayne, um arraso. Super alto astral. Falei com ela para eu gravar e ela autorizou. Acabei convidando a cantora e compositora Janine Mathias (Curitiba) para fazer uma participação, e o trompetista Daniel Alcântara (SP). A mistura ficou inusitada, contagiante e dançante. E ainda quebrou as barreiras entre o moderno e o tradicional. Essa melodia é desafiadora porque precisa ter agilidade na voz e tem uma extensão vocal interessante. Eu, ainda por cima, fiz questão de deixá-la mais aguda e com um andamento mais rápido. Saí da minha zona de conforto.

2-Arribaçã (Ricardo Ribeiro) – É o nome de uma ave. Também chamada de ribaçã, rebaçã , avoante ou avoete. É uma ave migratória que aparece no sertão, no fim do inverno. Essa canção é um baião, com toque de maracatu, que me leva de volta ao nordeste. Nela, apresento minha extensão vocal mais grave.

3-Cacau Caju Laranja (Carlito Birolli e Luis Felipe Leprevost) – Conheci essa composição na casa de um dos compositores (Carlito Birolli) e me apaixonei de cara. Porém, ela foi um grande desafio. A tarefa era achar uma interpretação diferente da original e encontrar um timbre mais quente. Fazer isso em estúdio é muito difícil. Mas eu consegui! Luís Otávio (produtor e arranjador) e eu ficamos dias e dias estudando o melhor arranjo. Até que Luís conseguiu traduzi-la e eu fui costurando com a voz.

4-Eclipse em Meia Lua (Carlos Careqa, Arrigo Barnabé e Adriano Sátiro) – Eu já conhecia essa composição antes de chegar em Curitiba. Minhas referências de interpretação eram de Rita Ribeiro e Carlos Careqa. Muito difícil sair desse lugar bonito
que os dois deram à essa música. Continuei no clima de mistério, mas brinquei um pouco mais com as nuances da voz e com a dinâmica de forte e fraco.

5-Memória (Dú Gomide) – Nessa canção, eu aproximei o dramático e o festivo. Trouxe o carimbó para alegrar e contrastar com a dramaticidade e o romantismo da letra. Convidei o guitarrista potiguar Cacá Veloso e ele arrasou no timbre das guitarras e na interpretação deste ritmo maravilhoso. Adoro dançar!

6-Procissão de Ipês (Cida Airam e Marta Catunda) – Nessa composição, convidei Marta Catunda para fazer a letra. Essa melodia me acompanha faz tempo. Estava guardada…. Certo dia, resolvi cantá-la. Ela tem um caráter medieval e muda de compasso várias vezes. Convidei o arranjador Vicente Ribeiro e, para interpretar, o grupo Vocal Brasileirão, do Conservatório de MPB. Ficou muito bonito. Me emociona!

7-Coco Sincopado (Jacinto Silva) – O coco de roda está presente no meu universo nordestino. Trago minhas raízes nesse CD e misturo à sonoridade dos músicos curitibanos, que compartilham a paixão pela música brasileira. Jacinto
Silva, cantor e compositor de Palmeira dos Índios(Alagoas), era o mestre do coco de roda. Faleceu em 2001.

8-Flor das águas (Cida Airam) –Composição minha. Emociona-me demais! Compus para minha mainha, mulher de luz, que me inspira e que amo. Uma ciranda de melodia, letra nostálgica e ritmo festivo.

9-Tunina (Cida Airam) – Composição minha em homenagem às benzedeiras brasileiras. A canção virou uma congada. Tunina era uma mulher negra que benzia a comunidade do bairro do Alecrim, em Natal, onde eu morava quando criança. Tenho lindas e fortes recordações espirituais dessa senhora.

10-Tamanquero – Uma releitura de um coco paraibano, extraído por Mário de Andrade, onde mantenho a essência da oralidade e misturo às distorções da guitarra de Luís Otávio Almeida e ao tambor pulsante de Carlos Ferraz.

11-Ritual Profano (An
tônio Saraiva) – Essa música quebra, dá o chão e me leva para vários lugares da música brasileira. Uma letra e uma melodia bem construída, que dá muitas possibilidades de interpretação. Eu dei o meu recado de Brasil e Antônio Saraiva me permitiu cantar essa música. Sinto-me muito honrada.

12-Solitária (Carlito Birolli, Luís Felipe Leprevost, Troy Rosilho e Matheus Lacerda) – Saí da minha zona de conforto mais uma vez e transformei essa canção em um brega. Cometer Haraquiri é uma técnica japonesa de suicídio, mas não queria deixá-la tão dramática assim. Nós, ocidentais, somos passionais e todo dia morremos um bocadinho: morremos de amor, morremos de raiva, morremos de tédio, morremos de prazer, morremos de rir…

13-Para Badeba Quiki – É um tema instrumental meu, no qual recito um cordel do Hélio Crisanto. Reforço minhas raízes e acentuo a pisada.

Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com