A força da mulher com bom humor e valentia no disco de estreia de Ana Sucha

“Inês é morta” é uma das expressões mais famosas da língua portuguesa. Sinônimo de uma causa perdida, a expressão acabou sendo um norte no bem humorado e urgente “Inês”, disco de estreia da cantora Ana Sucha, que se debruça sobre o feminismo, sexismo e visibilidade LGBT.

AnaSucha2 - Barbara Lopes

AnaSucha2 – Barbara Lopes

“Eu era baterista, mas estava completamente parada já tinha quase 5 anos – como me mudei pro Rio, não conhecia ningué que pudesse formar uma banda comigo. Daí veio essa urgência de tocar dentro de mim e eu pensei ‘poxa, eu toco bateria, percussão, violão e até que sou afinada, acho que dá pra brincar de tocar sozinha mesmo’”, explica Ana, que contou com a força do produtor e arranjador Eugenio Dale na concepção do projeto.

A inspiração para o nome do disco surge na terceira canção, “Uma mulher feliz”, onde a artista carioca de nascimento e brasiliense de coração canta “Ô Mamãe / Há mais de um mês / To namorando a Inês / Nem reparei no rapaz / Porque pra mim tanto faz”.

“Eu já tinha feito a música com os meus parceiros Eugenio Dale e Suely Mesquita e numa audição com a fotógrafa Barbara Lopes, ela brincou falando que ‘agora Inês é morta’. Procurando a origem da expressão encontrei a história incrível que inspirou no proceder do disco”, conta Ana.

Inês de Castro foi uma cidadã portuguesa do século XIII que viveu um romance proibido com o principe real da época, Pedro I de Portugal, que estava prometido a outra mulher. Anos depois, já viúvo, Pedro I e Inês decidiram viver seu amor. Por medo da repercussão política e moral que aquele segundo casamento causaria, o Rei Afonso IV mandou executarem Inês.

Da morte dela, surgiria uma das cenas mais tétricas e lendárias da história ibérica, onde Pedro I coroaria Inês como sua rainha depois de morta e os súbitos fizeram fila para beijarem a mão do cadáver.

De canções de protesto como “Vermelho cor de sangue” até um dueto com o sistema operacional Siri em “Onde você está?”, o disco mistura humor e seriedade para falar o dia a dia de muitas Inês, rainhas vindas do sofrimento.

“Cada um tem uma estratégia pra lidar com a ‘opressão de cada dia’ – a minha é o humor. Eu não sou uma pessoa ‘séria’ (risos). Ao mesmo tempo, tem coisas que pesam muito no dia a dia e que são relevantes da gente falar, se posicionar e acho que esse é o meu jeito de me fazer ouvir, de contar a minha história. E acho que tratar as coisas com humor e ironia não diminui a mensagem”, explica.

“Inês” está disponível para audição a partir dessa terça-feira, 07/06, e chega às plataformas de streaming dia 16/06. A versão física do disco sai em 15/07.

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