A CORDA BAMBA DAS FINANÇAS DO MÚSICO de Odery Drums

Ter ou não previdência privada, pagar ou não previdência social, poupar aqui ou ali? Essa é uma discussão que poderíamos ter aqui uns 10 economistas e ela renderia horas de conversa e no fim veríamos que não há uma fórmula pronta, como em quase tudo na vida.

A questão é que no mundo da música é muito comum verificarmos uma falta de planejamento financeiro, não falamos daquele músico que toca por hobby ou possui uma outra fonte de renda, as vezes é registrado com carteira assinada em algum outro tipo de trabalho. Estamos falando daquele músico que colocou a música como única fonte de renda e sabemos que além de não ser nada fácil, exige muita disciplina financeira.

O problema é que não é natural ao brasileiro pensar no futuro financeiro, se pensa em ter um carro novo, talvez uma casa, mas não a calcular como será sua vida daqui 10, 20 ou 30 anos e mais: o que você deixará para sua futura geração.

Não temos uma educação financeira e isso nos custa muito no futuro, ainda mais quase se tem uma carreira volátil na qual você não sabe exatamente quando vai pintar um trabalho (e claro que aqui cabem tantas outras, principalmente no ramo de prestação de serviços) teu ganho mensal quase nunca é igual, você trabalha por cachê na maioria das vezes e algumas ele não vem.
Além de tudo, você é um cidadão que gosta de carro, roupas novas, traquitanas tecnológicas, mas para diferenciá-lo do restante do público, você gasta com seus “brinquedos” de trabalho: seus instrumentos.

Como planejar para que num momento sem trabalho ou de uma enfermidade você consiga se manter financeiramente e minimamente equilibrado?

A previdência social é uma segurança, ainda que discutível em termos de valores e agora em época de mudanças e crise, mas é uma segurança em alguns casos. Os Recolhimentos para o
INSS habilitam o músico para receber, dependendo de cada caso, auxílio-doença e mesmo aposentadoria por invalidez se a moléstia for grave e o incapacite total e permanentemente. Em caso de falecimento, os dependentes aptos podem solicitar a pensão por morte. Caso o músico tenha uma carreira longa e poderá, ainda, usufruir da aposentadoria por tempo de contribuição (aqui não estamos discutindo valores e sim uma mínima segurança para alguns casos não previstos na vida).

Temos outras tantas opções como a Previdência privada, investimentos de diversas formas no mercado financeiro, investimentos que vão de em imóveis a gado, mas o que o músico deve fazer, como qualquer outro cidadão e principalmente numa país de instabilidade financeira tão grosseira como a nossa é poupar.

Alguns economistas ensinam a poupar uma porcentagem do ganho mensal, antes mesmo de pagar as contas. Seja 5, 10, 20, 30% dependendo de sua condição, mas poupar, ainda que minimamente uma porcentagem de sua renda mensal para que o hábito se crie e cada vencimento você tenha um valor que em primeiro lugar é destinado à sua poupança. Parece batido, parece difícil, mas é uma realidade que poucos fazem parte, ainda que todos devessem.

Odery Drums

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