A Bateria no Brasil

oderybrasilDe modo semelhante ao que aconteceu nos Estados Unidos, a história da bateria no Brasil está ligada ao surgimento de bandas de metais. A partir de 1830, com a criação da banda marcial da Guarda Nacional, esses grupos começaram a se proliferar no Brasil, e por volta de 1880 animavam bailes e coretos, tocando os gêneros musicais da época (polcas, valsas, quadrilhas, maxixes, schottisches e dobrados).

O momento exato da chegada de uma bateria no Brasil é controverso. Alguns estudiosos dizem que a primeira aparição de uma bateria ocorreu quando da apresentação do pianista e baterista Harry Kosarin e sua jazz band, em 1919. Há indícios de que Kosarin teria sido o primeiro baterista americano a tocar com a orquestra do maestro Souza Lima, em São Paulo.

bombeirosweb_02As primeiras evidências da atuação de bateristas brasileiros estão relacionadas às salas de cinema, onde faziam a sonoplastia dos filmes mudos. Nas salas de cinema, o baterista normalmente usava uma caixa sobre uma cadeira, um bumbo sem pedal que era tocado com uma das mãos ou mesmo com chutes e um prato pendurado nas grades que separavam os músicos da plateia.

 

O samba surge por volta de 1910, executado a princípio por piano e acompanhado de instrumentos de corda e metais, e tocado em salas de cinema, coretos e gafieiras. Foi só por volta de 1920 que surgiu um outro tipo de samba, o samba batucado, nascido no Estácio de Sá, com a predominância de instrumentos de percussão.

 

lucianoperronewebLuciano Perrone

O fato é que a partir dos anos 1950 a gíria “bossa nova” já era usada pelos músicos cariocas para designar um novo gênero de música brasileira, que acabou mudando o cenário musical brasileiro. Talvez não seja exagero dizer que a bossa nova evoluiu do samba do mesmo modo que o be-bop evoluiu do swing (mudando o foco de “dançar” para “ouvir”). A História continua…

A partir de então, o samba vai tomando sua forma na bateria, através das bandas do Cassino da Urca e da Rádio Nacional. A história das primeiras baterias brasileiras é confusa e mal documentada. Uma versão diz que a fábrica de baterias Caramuru (segundo alguns localizada em Sergipe, segundo outros em Diadema, cidade da Grande São Paulo), foi a pioneira na fabricação de baterias no Brasil.

Em 1952 foi fundada a fábrica de baterias Pingüim (veja a história da Pingüim aqui no Drum Channel Brasil), inspirada nas baterias Ludwig. A Pingüim foi o instrumento usado por muitos músicos da chamada MPB, nome dado ao gênero musical que se seguiu à bossa nova, com todas as suas vertentes (música de protesto, Jovem Guarda, Tropicália, até os primeiros ventos do pop brasileiro que começavam a soprar no começo dos anos 70). As baterias Pingüim eram os melhores instrumentos feitos no Brasil até os anos 80.

Também depois dos anos 50 algumas marcas entraram no mercado, como Caramuru, Saema, Gope, RollStar, Panther, e Taiko, mas eram instrumentos sem um padrão de qualidade definido: às vezes a bateria tinha um som incrível, noutras não. O final da década de 50 viu também o aparecimento da fábrica de pratos Ziltanann, um prato muito bom e que fez muito sucesso nos anos 60 e 70.

Por volta de 1982, Tibério Correa começou a fabricar as baterias Luthier, instrumentos feitos a mão com alto padrão de qualidade. Em 1984, Raul Sperloni fundou a Raul Instrumentos de Percussão, que além de instrumentos de percussão (congas e bongôs), também produziu robustas ferragens para bateria com uma qualidade inédita no país (bancos de bateria, pedestais de pratos e máquinas de chimbau). Mais tarde a marca Raul foi incorporada pela Bauer Percussion.

Na década de 90, depois da abertura do país para os produtos importados, houve uma avalanche de marcas ávidas por entrar no mercado brasileiro, e as grandes marcas, como Tama, Pearl, Yamaha, Gretsch, Ludwig, Slingerland, etc, fizeram sua estreia por aqui.

Apesar da dificuldades impostas pelos instrumentos importados, muitos deles feitos na China e que chegam aqui a preços baixíssimos, a indústria brasileira não ficou parada. Hoje há marcas de baterias nacionais como a Odery, que já alcançou fama mundial e tem representantes nos Estados Unidos e Europa, a RMV, a Adah e a Dolphim. O pratos Ziltanann voltaram a ser produzidos pela tradicional fábrica de instrumentos de sopro Weril, e estão de volta ao mercado, junto a marcas como Órion e Octagon, além de peles de qualidade como RMV, Gope, Batera e Luen.

Fonte: http://ensaios.musicodobrasil.com.br/oscarbolao-abateria.pdf

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